Muitos socorristas pelo Brasil se questionam se realmente necessita de um médico ou de SAV no transporte aeromédico, ou seja, utilização da ambulância tipo E conforme portaria 2048 GM ou resolução 1671 do CFM – Leia o texto abaixo – realmente é obrigatória a presença do médico durante o transporte e veja também os tipos de aeronaves utilizadas.
O transporte Aeromédico consiste em um transporte de pacientes por via aérea, em aeronaves de asa rotativa ou asa fixa e possui 2 modalidades:
MODALIDADE RESGATE: Atendimento inicial ao paciente, na cena do evento, visando sua estabilização inicial, preparo e transporte com condições de suporte avançado de vida à uma instituição médica devidamente capacitada para a continuidade do atendimento. Esta atividade é conhecida como EVAM (evacuação aeromédica) ou MMI (missão de misericórdia) e internacionalmente MEDEVAC (medical evacuation).
MODALIDADE INTER-HOSPITALAR: Transporte de pacientes de uma instituição de saúde para outra, sob a responsabilidade do diretor médico da instituição que realiza o transporte, devendo oferecer condições de suporte avançado de vida.
TRANSPORTE DO POLITRAUMATIZADO EM AERONAVES DE ASA ROTATIVA
As macas eram presas no SKID, o que não permitia o início dos cuidados médicos.
Mesmo assim a mortalidade diminui 2,4% e no conflito do Vietnã o índice caiu para 1,7%, diferente dos 5,8% observados na 2ª Guerra.
Em 1969 iniciou o programa de salvamento aeromédico com helicópteros militares e em 1972 transporte civil; no Brasil iniciou em 1988 no Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro e no ano de 2000 as aeronaves mais utilizadas foram os HB350 monoturbinado.
SEGURANÇA NO VÔO
Os acidentes em helicópteros aeromédicos são causados principalmente por falhas do piloto, normalmente quando submetidos a condições adversas em vôos noturnos ou condições climáticas ruins.
INDICAÇÃO DE EMPREGO E VANTAGENS
São considerados como ambulâncias rápidas e podem voar a 270 Km/h; utilizados no atendimento a pacientes com risco de vida, diminuem a mortalidade em 52% em áreas rurais e 21% em áreas urbanas, ou seja, aumenta a chance de sobrevida; possuem a opção de desembarcar a tripulação médica e içar a vítima com macas especiais (SKED ou OFF-SHORE).
DESVANTAGENS
Custo de operação e manutenção elevado; emprego limitado às condições climáticas desfavoráveis; vibrações e ruídos na cabine dificultam o exame clínico da vítima.
SELEÇÃO DO PACIENTE
Glasgow<10; trauma penetrante de pelve, abdome, tórax, pescoço e crânio; fratura de fêmur; amputação; lesões de coluna cervical; grandes queimados; PA sistólica <90mmHg; FR<10; FC>120.
SITUAÇÃO OPERACIONAL
Consideramos o transporte se: Colisão a mais de 32Km/h; quedas>6m; morte de um ocupante do veículo; local de difícil acesso; transporte superior a 20 minutos; tráfego obstruído.
ALTITUDE
Como os helicópteros não dispõem de pressurização de cabine os vôos são limitados e não excedem os 1.000 metros de altitude; impossibilita transporte de mergulhadores com mal descompressivo; cuidados especiais com pacientes portadores de choque, hipotermia, trauma de tórax, insuficiência cardíaca e doença pulmonar; pacientes com pneumotórax devem ter o tórax drenado antes do transporte. Lembrando que o socorrista não acha, tem certeza, e que ele trabalha com os mecanismos de ferimentos ou seja, a força ou o objeto que causou o trauma, torna-se obrigatória a presença do médico e enfermeiro no transporte aeromédico.
HISTÓRIA
Balões iniciam transporte de feridos
Na mitologia grega Ícaro ganha asas e estabelece o sonho do homem em voar. Em 21 de novembro de 1783 Pilatre de Rozier and the Marques d’ Arlandes após experimento com balão de setembro de 1783 com animas realizado por Montgolfier, fizeram o primeiro vôo na altitude de 3000 pés por 20 minutos e percorrendo distância de 8 km na França. Iniciava importante passo onde a conquista do céu, na liberdade de voar, projetava a humanidade sobrepondo seus limites.Em 24 de setembro de 1852 Henri Giffard acopla motor de 3 HP na velocidade de 27 km/hora do hipódromo de Paris a cidade, iniciando a era dos dirigíveis. A fisiologia da altitude era desconhecida e logo viriam os sintomas das baixas pressões atmosféricas. A necessidade do transporte militar e feridos foi surgindo, onde na guerra Franco Prussiana em 1855 foi amplamente utilizada a remoção e resgate Aeromédico. Feridos eram transportados de forma rudimentar para Hospitais de campanha, já se observando as vantagens ganhas em tempo e segurança, porém eram transportes realizados com ausência ou limitações de profissionais de saúde, principalmente médicos.

Balão utilizado na Guerra Franco-Prussiana ( 1870 - 1871 ): Forças Napoleônicas.Praça de St. Pierre.

Paul Bert: Médico Fisiologista e "Pai da Fisiologia da Altitude"
O primeiro médico fisiologista dedicado a fisiologia da altitude foi Paul Bert, que através de camâra hipobárica, analisou os efeitos da baixa pressão em humanos e animais sobretudo no sistema Respiratório e Cardiovascular. Bert demonstrou que o homem não estava adaptado ao ambiente aéreo e estava sujeito a hipóxia, hipotermia, mal estar intermitente e efeitos deletérios do oxigeno e nitrogênio. Mas a aviação foi desenvolvendo e dezembro de 1903, Orville e Wilbur Wright, os irmãos Wright, fazem o primeiro vôo controlado de um avião “com motor”, percorrendo 852 pés com o modelo Flyer nos EUA, porém Santos Dumont efetua em outubro de 1906 o primeiro vôo homologado da história no avião 14 BIS de 50 CV, estaria definitivamente inventado o avião. As aeronaves evoluíam, porém os limites da biologia humana impunham estudos, 90% das mortes dos pilotos eram atribuídas a despreparo e consequência da fisiologia do vôo. Surgia a Medicina Aeroespacial objetivando o estudo da fisiologia do vôo, contribuindo nos equipamentos e roupas para pilotos e tripulações. Na I Guerra Mundial iniciava os primeiros modelos de aeronaves para transporte aeromédico. Eram rudimentares, despressurizadas, com sistema de rede de oxigênio suplementar, em monomotores de velocidade média de 150 km/hora e os feridos encontravam-se em compartimentos a frente do piloto. Já no contexto da Guerra Franco-Prussiana, Henri Dunan inconformado com a crueldade da guerra cria a Cruz Vermelha internacional estabelecendo a

Médico e fisiologista Paul Bert (1833 - 1866 ), estudos dos efeitos fisiológicos da baixa pressão atmosférica ( experimento com Câmara Hipobárica )
Cruz Vermelha Internacional e equipe de saúde
Conferência de Genebra na Suíça que entre muitas medidas estabelece que a equipe de saúde em seus capacetes e braceletes, ambulâncias e aeronaves receberiam o símbolo oficial da Cruz em tom avermelhado para identificação do atendimento e transporte de feridos. Após a I Guerra, o sistema de remoção aérea foi desenvolvendo porém com limitações de custos e pessoal treinado. Aeronaves amplas com médicos e enfermeiros, maior conhecimento da fisiologia do vôo e aeroportos homologados, já permitiam o transporte mais adequado e rápido. A II Grande Guerra novamente impulsiona a necessidade de transporte rápido de feridos, alemães e americanos adaptam aeronaves militares de transporte para “ambulâncias aéreas” com macas apropriadas, sistema de aspiração e oxigênio, equipamentos de ventilação não invasiva com máscaras, medicações e com presença dos profissionais de saúde para atendimento. O transporte aéreo organizado para Hospitais militares de retaguarda permitia ampliar a remoção de vários pacientes ao mesmo tempo em aviões amplos como o americano DC – Douglas.

França, 1917. Transporte Aéreo rudimentar na I Guerra Mundial.

Junker JU.52/3M ambulância. Sistema do Serviço de Saúde Alemã, Remoção aérea na II Grande Guerra.
O Helicóptero
Em 1907 Loius Breget elebora a teoria da asa rotativa, entre vários experimentos somente em 1935 finaliza o protótipo com rotor duplo, porém a concepção atual dada ao helicóptero com rotor central e de cauda foi elaborada em 1939 através Igor Sikorsky, o modelo VS 300 voou 1 hora, 32 minutos e 26 segundos. O helicóptero, do grego Helix ( helicóide) e Pteron (asa) , logo estaria inserido como aeronave de transporte aeromédico em virtude da sua configuração versátil, não necessitando de pistas e efetuando pouso vertical. Os primeiros aparelhos equipados para resgate de feridos já surgiram na II Guerra, porém foi na Guerra da Coréia em 1955 que sua utilização foi empregada onde helicópteros de pequeno porte monopilotado apresentavam macas fechadas no esqui protetor. O transporte era rudimentar, em baixa altitude, sem equipe de vigilância durante o vôo e já demonstrava a necessidade do piloto em conhecer procedimentos básicos de primeiros atendimento. Em 1962 a Guerra do Vietnam inicia, em terreno acidentado, floresta fechada e graves epidemias, tornou o helicóptero a melhor opção para deslocamento militar e de feridos. O mais utilizado foi H1, em geral bipilotado, contava com maca interna, equipe de auxiliar ou enfermeiro e médico para sobretudo efetuar resgate de feridos em missões com pouca segurança e sujeita a artilharia inimiga. A Guerra do Vietnã demonstrou a necessidade de treinamento para equipes de saúde específicas, dando início a era da asa rotativa e UTI aéreas. Já nessa época, o médico e engenheiro aeronauta Forrest Bird inventa o mais importante ventilador pulmonar invasivo pressórico designado BIRD Mark7 para utilização em UTIs militares e aeronaves de resgate.

Louis Breget, modelo de 1907 com assento central e quatro héleces rotativas.

1939, Igor Sikorsky em seu primeiro vôo no VS 300, inventor do helicóptero no modelo atual.

Guerra da Coréia ( 1948 - 1953 ) - Início do transporte Aeromédico através de asa rotativa

Coréia - ( modelo com maca lateral - para fora ).

Vietnã ( 1964 - 1975 ). O Transporte em helicópteros foi amplamente utilizado, surgem as primeiras ambulâncias aéreas equipadas nos padrões atuais.

Remoção Atual em Helicópetro: Equipe multiprofissional, equipamentos compondo UTI aérea. Segurança e Rapidez.
Apogeu da Remoção Aérea
Na década de 80 inicia o apogeu do transporte aeromédico. Aeronaves rápidas como jatos, dentro os quais Learjet, tornaram-se verdadeiras UTIs Aéreas, com ventiladores pulmonares específicos, desfibriladores, Bombas de Infusão apropriadas, medicações, monitores cardíacos e principalmente equipe aeromédica treinada. Velocidades de 27 km/hora alcançam 900 km/hora, em cabines pressurizadas, ambiente confortável para paciente e equipe, com normas internacionais rígidas, proporcionando rapidez e segurança. Como em toda tecnologia, uma invenção não exclui a outra, portanto três aeronaves podem ser utilizadas conforme a distância a ser percorrida e condições locais: Helicóptero 200 a 250 km/hora (Esquilo – 1,5 milhões de reais), Turbo-hélice 350 a 400 km/hora ( King Air – 2,5 milhões de Reais) e jato ( Learjet – 8 milhões de reais ) 600 a 700 km/hora.
King Air

Aeronave turbo-hélice para missões de média distância
Ficha Técnica
1. Autonomia de vôo: 5 horas
2. Capacidade: 1 médico, 1 enfermeira, 2 tripulantes
3. Acompanhantes: 1
4. Velocidade de cruzeiro: 385 Km/h
Esquilo AS 350 B2

Helicóptero utilizado em missões de curta distância, em locais sem infra-estrutura aeroportuária.
Ficha Técnica
· Autonomia de vôo: 3:20 horas
· Pax aeromédico: 1 piloto, 1 médico, 1 enfermeira e um paciente deitado na maca
· Velocidade de cruzeiro: 220 Km/h
· Distância percorrida: 660 Km
Learjet
Aeronave a jato utilizada para cobrir longas distâncias.

Aeronave a jato utilizada para cobrir longas distâncias.
Ficha Técnica
· Autonomia de vôo: 3:30 horas
· Pax aeromédico: 1 piloto, 1 co-piloto, 1 médico, 1 enfermeira e 1 acompanhante
· Velocidade de cruzeiro 600 Km/h
· Distância percorrida: 2.500 Km